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Artigos

ANDROGÊNIOS NA SOP: TESTOSTERONA ALTA, DHEA E HIPERANDROGENISMO

Dr. Ítalo Rachid (Cremesp 114612), mais de 30 anos dedicados à Medicina Integrativa, com foco na prevenção e qualidade de vida.
Ítalo Rachid
Ítalo Rachid
Dr. Ítalo Rachid (Cremesp 114612), mais de 30 anos dedicados à Medicina Integrativa, com foco na prevenção e qualidade de vida.
Ítalo Rachid
Ítalo Rachid

Um dos aspectos mais conhecidos da síndrome dos ovários policísticos é o aumento da ação dos hormônios androgênicos no organismo feminino.

É justamente isso que costuma explicar sintomas como:

  • acne persistente;
  • aumento de pelos;
  • oleosidade;
  • e queda capilar em parte das mulheres com SOP.

Mas nem sempre testosterona alta significa exatamente a mesma coisa. Além disso, outros hormônios, como DHEA e androstenediona, também podem participar desse contexto.

Hoje, a ciência entende que o hiperandrogenismo na SOP é multifatorial e pode envolver metabolismo, resistência à insulina, inflamação e funcionamento ovariano.

Antes de continuar, vale aprofundar os conteúdos anteriores deste cluster:

  • SOP: o que é a síndrome dos ovários policísticos, sintomas, causas e abordagem integrativa
  • SOP sem cisto: por que o diagnóstico vai além do ultrassom
  • SOP em mulheres magras: quando o peso não é o principal sinal

O que são androgênios?

Os androgênios são hormônios presentes naturalmente tanto em homens quanto em mulheres.

No organismo feminino, eles possuem funções importantes relacionadas a:

  • energia;
  • libido;
  • composição corporal;
  • metabolismo;
  • e funcionamento hormonal.

O problema acontece quando existe excesso da ação androgênica ou maior sensibilidade a esses hormônios.

 

O que é hiperandrogenismo?

O hiperandrogenismo é o aumento da ação dos androgênios no organismo feminino.

Ele pode ser identificado:

  • por sintomas clínicos;
  • por exames laboratoriais;
  • ou pelos dois.

Entre os sinais mais comuns estão:

  • acne persistente;
  • aumento de pelos;
  • oleosidade excessiva;
  • queda capilar;
  • e irregularidade menstrual.

Nem toda mulher com SOP apresenta todos esses sintomas.

 

Testosterona alta sempre significa SOP?

Não.

Embora o hiperandrogenismo seja frequente na SOP, existem outras condições que também podem alterar hormônios androgênicos.

Por isso, a interpretação dos exames deve considerar:

  • sintomas;
  • histórico clínico;
  • metabolismo;
  • padrão menstrual;
  • exames complementares;
  • e contexto individual.

Hoje, o diagnóstico da SOP não depende apenas de um exame isolado.

Uma revisão publicada no The Lancet reforçou a complexidade diagnóstica e metabólica da síndrome dos ovários policísticos.

Fonte: The Lancet – Polycystic ovary syndrome review

Qual a diferença entre testosterona, DHEA e androstenediona?

Esses hormônios fazem parte do grupo dos androgênios, mas possuem origens e comportamentos diferentes.

Testosterona

É um dos androgênios mais conhecidos e pode estar relacionado a:

  • acne;
  • aumento de pelos;
  • oleosidade;
  • e alterações metabólicas.

DHEA

O DHEA possui produção importante pelas adrenais e também participa da síntese hormonal.

Alterações nos níveis de DHEA podem ocorrer em diferentes contextos hormonais e metabólicos.

Androstenediona

Também é um hormônio androgênico envolvido na produção hormonal ovariana e adrenal.

Por isso, a avaliação hormonal costuma considerar o conjunto dos exames e não apenas um marcador isolado.

 

Resistência à insulina pode aumentar androgênios?

Sim.

Hoje, já existe forte associação entre resistência à insulina e hiperandrogenismo na SOP.

A hiperinsulinemia pode estimular maior produção androgênica ovariana e reduzir SHBG, proteína responsável por transportar hormônios no organismo.

Como consequência, pode haver aumento da fração livre dos androgênios.

Uma revisão publicada na Nature Reviews Endocrinology destacou a relação entre SOP, resistência à insulina e alterações metabólicas.

Fonte: Nature Reviews Endocrinology – PCOS and metabolic dysfunction

 

Acne e queda capilar sempre são hormonais?

Não necessariamente.

Embora alterações hormonais possam participar desses sintomas, outros fatores também podem influenciar:

  • genética;
  • inflamação;
  • microbiota;
  • alimentação;
  • estresse;
  • sono;
  • e saúde metabólica.

Por isso, a avaliação precisa ser individualizada.

 

Mulheres magras também podem apresentar hiperandrogenismo?

Sim.

Mesmo sem excesso de peso, mulheres magras com SOP podem apresentar:

  • acne;
  • aumento de pelos;
  • irregularidade menstrual;
  • e alterações hormonais.

Esse é um dos motivos pelos quais olhar apenas o peso corporal pode ser insuficiente na avaliação da SOP.

 

O intestino e a inflamação também vêm sendo estudados

Nos últimos anos, pesquisadores passaram a investigar possíveis relações entre:

  • microbiota intestinal;
  • inflamação;
  • metabolismo;
  • resistência à insulina;
  • e hiperandrogenismo.

Embora muitas pesquisas ainda estejam em evolução, já existem estudos sugerindo associação entre alterações metabólicas e saúde hormonal feminina.

Existe tratamento único para hiperandrogenismo?

Não.

Hoje, a abordagem tende a considerar:

  • sintomas;
  • metabolismo;
  • fertilidade;
  • exames hormonais;
  • resistência à insulina;
  • composição corporal;
  • e objetivos individuais da paciente.

A ciência atual busca cada vez mais individualização na condução clínica da SOP.

 

O estilo de vida também influencia?

Muito.

Hoje, a abordagem contemporânea costuma considerar:

  • alimentação;
  • atividade física;
  • sono;
  • manejo do estresse;
  • composição corporal;
  • e saúde metabólica.

Isso não significa que exista uma solução universal, mas sim que hormônios e metabolismo estão profundamente conectados ao estilo de vida.

 

Conclusão

O hiperandrogenismo representa uma das principais características da síndrome dos ovários policísticos, mas sua interpretação vai muito além de “testosterona alta”.

Hoje, já se sabe que resistência à insulina, metabolismo, inflamação, composição corporal e estilo de vida podem influenciar diretamente esse processo.

Por isso, sintomas, exames hormonais e contexto clínico precisam ser avaliados de forma integrada e individualizada.

Continue acompanhando os conteúdos do Grupo Longevidade Saudável para aprofundar temas relacionados à saúde hormonal feminina, metabolismo, fertilidade e medicina contemporânea sob uma perspectiva científica e integrada.

As informações deste artigo possuem caráter exclusivamente educativo e informativo, não substituindo avaliação individualizada. Estratégias nutricionais, hormonais, suplementares ou terapêuticas devem ser conduzidas por um profissional habilitado, considerando as características e necessidades de cada pessoa.

 

Nota legal

Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação individualizada. Em caso de sintomas metabólicos, hormonais, emocionais ou digestivos, procure profissionais de saúde capacitados.

Acompanhe os conteúdos do Grupo Longevidade Saudável e mantenha-se atualizado sobre saúde, ciência e medicina personalizada.

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Dr. Ítalo Rachid – CREMEC 4435 | RQE 5474 | CREMESP 114612

Médico ginecologista de formação, com quase quatro décadas dedicadas às Ciências da Longevidade Humana, é fundador do Grupo Longevidade Saudável e pioneiro na introdução da Medicina Integrativa no Brasil. Ao longo de sua trajetória, já impactou e formou quase 20 mil médicos, difundindo um modelo de prática clínica inovador, focado na manutenção da saúde, na prevenção e na qualidade de vida. Sua atuação une ética, ciência e visão transformadora, consolidando um legado que ultrapassa gerações.

Dr. Ítalo Rachid - Cremesp 114612

Médico ginecologista de formação, com quase quatro décadas dedicadas às Ciências da Longevidade Humana, é o fundador da Longevidade Saudável, introdutor da Medicina Funcional Integrativa no Brasil e já formou mais de 13 mil médicos nesse modelo de medicina focado na manutenção, promoção da saúde e melhora da qualidade de vida.

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