Nutrição na quarentena: o que você precisa saber

Nutrição na quarentena: o que você precisa saber

Hipócrates, pai da medicina, falava a quase 2700 anos atrás: “Que os seus alimentos sejam seus medicamentos e que os seus medicamentos, seja seus alimentos.” Deslocando essa afirmação filosófica para os dias de hoje, torna-se necessário refletir sobre como aumentar a qualidade da nutrição na quarentena diante de tantas condições que conspiram contra a nossa saúde.

No projeto Vozes que Informam, uma série de Lives extremamente rica e esclarecedora que realizei junto com um grupo de convidados especiais, esse tema foi belamente abordado. A Dra. Denise Carreiro e sua bagagem como nutricionista, nos trouxe informações riquíssimas acerca do assunto.

Dito isto, reforça-se que é impossível falar sobre sistema imunológico sem falar de nutrição. Ou seja, a preocupação que aflorou nos últimos tempos é a mesma que sempre deveria existir.

Afinal, será exequível cultivar hábitos saudáveis de nutrição na quarentena (ou fora dela) enquanto o meio externo nos bombardeia com poluição, toxicidade alimentar, uso de agrotóxicos, alimentos geneticamente modificados (transgênicos), adição de pesticidas, hormônios sintéticos, corantes e derivados da indústria petroquímica, para citar alguns exemplos.

Portanto, se você deseja aprofundar os conhecimentos sobre nutrição na quarentena, continua a leitura até o final.

Agressores e defensores

O organismo dos indivíduos está sendo agredido em diversos aspectos. Por mais que se tenha um consumo regularmente saudável de verduras, legumes e frutas, o que se encontram são alimentos cada vez mais empobrecidos de nutrientes e minerais.

A monocultura, onde não se recupera o solo, o uso de agrotóxicos e defensivos agrícolas tem produzido alimentos pobre em compostos bioativos, vitaminas e minerais, furtando em até 50% a sua capacidade nutritiva.

O corpo humano foi feito para tolerar agressores. Contudo, sem a presença de micronutrientes, aminoácidos e principalmente, de uma microbiota saudável, essa missão é pouco factível. O consumo desses elementos e a preservação da microbiota intestinal é responsável pela produção de mais de 70% das células de defesa do corpo.

Esse é o processo que vai determinar a formação de células tolerogênicas, capazes de lidar com agressores, sendo que a base desse ciclo está na nutrição. Ou seja, no consumo de comida de verdade e daquilo que a natureza produz.

Nutrição na quarentena

Embora seja difícil mudar os resultados da modernidade, pode-se criar condições para que o organismo humano seja capaz de tolerar tais acontecimentos, assim como, o surgimento de novas doenças.

À vista disso, optar pelo consumo de comida de verdade, dando preferência aos orgânicos e biodinâmicos que terão composições maiores de vitaminas, minerais e compostos bioativos passa ser uma decisão inteligente, dentro desse contexto. A Dra. Denise reforça que esses alimentos vão manter uma energia regular para o cérebro, bem como, promover uma microbiota saudável e interessante para o sistema imunológico.

Ou seja, como resultado dessa escolha, tem-se um pH adequado no estômago e no intestino favorecendo a absorção do que for consumido. Pois é comum encontramos pessoas que conseguem se alimentar razoavelmente bem, mas que não passam da absorção de macronutrientes, aqueles em que é difícil se observar deficiência. Manter níveis interessantes de vitaminas, minerais, ômega 3 e compostos bioativos é o grande desafio, principalmente na nutrição da quarentena.

Diversos estudos e pesquisas estão sendo consumadas a fim de conhecer um pouco mais sobre o Covid-19. Contudo, o que se sabe é muito pouco.

Sendo assim, a certeza existente é de que o sistema imunológico tem total capacidade para lidar com situações extremamente agressivas, desde que ele esteja preservado e pronto para isso, por meio da alimentação.

Alimentos inflamatórios

Grande parte das doenças crônicas não transmissíveis tem na sua base a inflamação. Neste processo, o sistema imunológico está defendendo o organismo, gerando substâncias pró-inflamatórias. A questão preocupante neste cenário, é que o excesso de agressão faz com que o sistema autoimune “desaprenda” sobre a hora de parar, desenvolvendo, a partir desse momento, outras doenças graves.

Perceba que existe uma íntima relação entre a nutrição, o sistema imunológico e o intestino. Os desequilíbrios dessa tríade acabam por produzir reações catastróficas dentro do organismo, recentemente conhecidas como inflamações subclínicas, Tais manifestações resultam em patologias que comprometem intensamente a longevidade humana.

Alimentos

Desta forma, perguntei a Dra. Denise quais seriam os alimentos inegociáveis e restritos ao consumo devido ao seu alto poder inflamatório.

O campeão dentre os alimentos de alto teor inflamatório é a proteína do leite de vaca. Essa proteína tem mais de 20 peptídeos tóxicos ao organismo humano. Ainda que sejamos seres mamíferos, o organismo deixa de digerir essas proteínas ao fim desta fase. Além disso, a proteína do leite de vaca é insulinogênica, o que seria um argumento fortíssimo para o não consumo, por si só. O organismo humano pode tolerar o consumo de leite de vaca, mas não digerir.

Em segundo lugar, tem-se o glúten do trigo moderno que está altamente modificado. Ninguém digere essas proteínas que são extremamente tóxicas e nocivas, a exemplo da gluteomorfina.

Depois deve-se ter atenção redobrada ao consumo de soja não coagulada ou fermentada. A soja tem uma quantidade considerável de substâncias antinutricionais e proteínas de difícil digestão, além de desfavorecer a absorção do iodo, elemento importante na manutenção da tireoide. A soja é base para muitos dos alimentos ultraprocessados, ou seja, ela é consumida sem nem mesmo ser notada.

Os alimentos acima são inegociáveis para o indivíduo que deseja ter saúde. O consumo dos mesmos destrói as defesas do organismo.

Qual é a nossa responsabilidade, afinal?

É urgente que tomemos as rédeas da nossa própria saúde, sendo que temos total condições para isso. 

Pouco se pode fazer pelo tempo que passou ou pelas mudanças que o mundo tem presenciado mas, muito pode ser feito para resgatar a nossa capacidade de tolerar, eliminar e defender o organismo contra os agressores externos.

E essa responsabilidade é de cada um de nós.

Por mais que a nutrição costume ficar às margens das consultas médicas, seu potencial curativo e preventivo nunca deixou de ser profundamente importante na conquista de uma vida longa e saudável.

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Assista a Live completa com a Dra. Denise Carreiro clicando no vídeo abaixo. Se inscreva no meu Canal do Youtube: Dr. Ítalo Rachid.