conversando_dr_italoEdição 02 – 28/02/2016

OS FUNDAMENTOS DA MEDICINA INTEGRATIVA

A medicina tradicional curativa é nobre e deve ser por todos nós admirada e respeitada. Um dos seus mais importantes alicerces consiste no diagnóstico e tratamento das comorbidades e doenças associadas ao envelhecimento.

Embora constituam ações muito importantes, as mesmas não mais se bastam. A medicina curativa precisa celebrar um casamento inadiável e indissolúvel com a medicina preventiva e integrativa.

Aprende-se na medicina convencional a valorizar e considerar a possível existência de um problema ou doença apenas quando se manifestam sinais ou sintomas.

O médico tradicional é treinado para enxergar apenas o que é visível, do mesmo modo que enxergamos a ponta de um iceberg flutuando em alto mar.

A medicina integrativa, por sua vez, prepara o medico para aprender a enxergar além do óbvio e do visível.

Esta analogia significa que, para um médico tradicional, dificilmente irá existir indicação de intervenção clínico-terapêutica diante de uma pessoa que se apresenta numa consulta sem queixas e assintomática.

Na medicina integrativa, o que procuramos fazer é exatamente o contrário: Intervir na vida das pessoas principalmente diante da aparente inexistência de problemas, manifestada pela ausência de sinais ou sintomas.

As doenças do envelhecimento, em muitos redutos da medicina, ainda são compreendidas como processos inevitáveis.

O sedentarismo, o estresse, as carências nutricionais e vitamínico-minerais, a excessiva toxicidade alimentar e ambiental, as disfunções mitocondriais, a excessiva produção de radicais livres, a disbiose intestinal, as deficiências hormonais e a inflamação crônica subclínica são fatores que respondem pela maior parte do que conhecemos como síndrome clínica do envelhecimento, fenômeno que, por sua vez, acaba gerando múltiplas disfunções em nossos órgãos e, ao longo do tempo, findam por exaurir os nossos sistemas de defesa e reparo, dando lugar ao surgimento das doenças erroneamente associadas a essa fase da vida.

O nosso foco, passa a ser, deste modo, a detecção precoce, prevenção, tratamento ou mesmo reversão das disfunções associadas à velhice.

Podemos resumir a filosofia que embasa as nossas ações em um objetivo maior que é dar qualidade à quantidade e quantidade à qualidade de vida.

A receita de bolo que leva a uma vida e envelhecimento saudáveis é complexa e, ao mesmo tempo, lógica.

Os seus componentes mais importantes são: Mudanças nos estilos de vida, a prática regular e moderada de atividade física, o manuseio do estresse, a detoxificação hepática e intestinal, a inbição dos radicais livres, a suplementação nutracêutica funcional, a correção da fadiga mitocondrial,a dieta geneticamente correta, o controle e reversão da inflamação crônica subclinica e a modulação hormonal bioidêntica masculina e feminina.

Até pouco tempo acreditava-se que a herança genética respondia por 70% da longevidade, o meio ambiente por 10% e os estilos de vida por 20%. As evidências atuais dão suporte a uma redistribuição percentual destes fatores. Hoje é possível afirmar que a genética responde por modestos 15%, o meio ambiente por mais 15% e os estilos de vida impactam em 70% da nossa qualidade de vida e longevidade!

Um estudo realizado alguns anos atrás na Escola de Medicina da Stanford University-USA, jogou mais luz por sobre esta nova realidade.

O estudo procurou identificar o peso dos fatores que contribuem para as pessoas atingirem idades avançadas livres de doenças.

Ficou demonstrado que os estilos de vida respondem por 60% da longevidade, o meio-ambiente 20%, a genética 15% e a complexidade dos sistemas de atendimento médico responde por apenas 5%.

Isto significa que se uma pessoa vive em uma cidade, que possui hospitais muito bem estruturados, aparelhos e equipamentos de última geração, exames complementares de laboratório ou de imagens de altíssima precisão e sofisticação e médicos adequadamente treinados para realizar os procedimentos mais complexos e avançados hoje disponíveis, o impacto total da soma destes recursos na longevidade saudável não passa de modestos e espantosos 5%!

Diante destes fatos e números, um parâmetro muito mais preciso e significativo pode ser associado às chances de vivermos e envelhecermos de modo mais ou menos saudável: O nosso estado de conservação. Ou seja: A nossa Idade Biológica.

A idade cronológica marca apenas a passagem do tempo e não pode mais ser utilizada como critério isolado no rastreamento dos riscos de doenças.

Na avaliação do risco de doenças, adotamos e aplicamos um conceito mais abrangente, que á a Idade Biológica.

Esse, mais do que a mera passagem do tempo, é um marcador da capacidade metabólica e funcional de um indivíduo.

Em resumo: A idade cronológica determina o tempo de fabricação, enquanto que a idade biológica expressa o estado de conservação.

Todos já vencíamos a situação em que ao conhecermos uma pessoa e sabermos da sua idade nos surpreendemos, quer seja porque visualmente a pessoa aparenta ser mais velha ou, ao contrário, aparenta ser mais jovem. A percepção visual de que as pessoas não envelhecem à mesma velocidade, ainda que tenham a mesma data de nascimento é um parâmetro não apenas intuitivo, mas, na realidade, hoje pode ser mensurado com alto grau de precisão.

Está cientificamente comprovado que nós, seres humanos, não só envelhecemos de forma tão individual quanto a nossa impressão digital, quanto nossos próprios órgãos e sistemas, igualmente, não envelhecem à mesma velocidade ou seguindo o mesmo ritmo. Significa que duas pessoas do mesmo sexo podem ter 45 anos, sendo que, em uma delas, podemos encontrar uma idade biológica de 30 anos, por exemplo, enquanto que na outra, uma idade biológica de 55, 60 anos ou mais.

Isso quer dizer que entre duas pessoas da mesma idade podemos identificar uma diferença metabólica e funcional que pode chegar a 10, 20 ou 30 anos!

Diante desta realidade, fica muito fácil compreender que um indivíduo não corre maior ou menor risco de adoecer ao longo da vida apenas pela idade que possui. Na verdade, o risco será tão maior quanto mais elevada for a sua idade biológica.

Tudo isto significa a necessidade de compreensão de uma nova realidade.

Os nossos genes influenciam o envelhecimento até os 30 anos. A partir daí, envelhecermos de modo mais ou menos saudável dependerá muito menos da nossa genética e muito mais da qualidade das nossas escolhas diárias, que irão impactar nos nossos estilos de vida, e que, por sua vez, afetarão nossa idade biológica, portanto, o nosso estado de conservação.

Importante termos em mente que 75% dos seres humanos que adotam estilos de vida saudáveis e fazem as escolhas de saúde corretas jamais irão adoecer ao longo das suas vidas ou conhecer os corredores dos hospitais.

Na atualidade, a expectativa de vida nos países desenvolvidos é de cerca de 84 anos. Bem antes de atingirmos a metade desse século, uma vasta gama de novas terapias, hoje já existentes mas ainda experimentais, estarão disponíveis para uso em seres humanos. Tais avanços permitirão a expansão da expectativa de vida para além dos 100 anos.

A velocidade do conhecimento científico avança de forma tão avassaladora que tudo o que sabemos hoje sobre medicina foi conquistado ao longo dos últimos 10.000 anos de evolução da espécie humana. Iremos precisar de apenas 3 anos, para que toda a base de conhecimentos atual seja duplicada!

Em medicina, o que era verdade ontem, pode não mais ser hoje.

Desse modo, todos que compomos a sociedade brasileira, temos que estar preparados para nos beneficiar dos frutos desses avanços.

E o único modo de atingir esse objetivo, é buscar a informação de qualidade.

A medicina integrativa se tornará o modelo primário de medicina no século XXI.

Por que?

Em primeiro lugar, porque é um modelo que engloba quatro importantes estratégias:

– Disponibilizar rotinas de diagnóstico e detecção precoce de doenças, associadas com intervenções agressivas e eficazes;
– Estabelecer uma cultura de promoção sistemática de saúde, através de um programa inteligente e eficaz de informação e educação do cidadão e da sociedade;
– Motivar e implementar parcerias multidisciplinares entre médicos, profissionais de saúde e os pacientes, disponibilizando serviços de saúde eficazes, personalizados e de qualidade sem paralelos dentro do contexto da medicina;
– Abrir, conquistar e reter uma nova demanda por serviços de saúde, dotando o médico de um importante e indispensável diferencial competitivo de mercado: A capacidade de manter pessoas saudáveis. Reformular sua mente, seus conceitos, suas crenças, treiná-lo e, finalmente, transformá-lo em um tratador de saúde!

Em segundo lugar, porque a maior expressão de liberdade  pessoal é o controle sobre o destino da sua própria saúde.

A Medicina Integrativa é um novo modelo que coloca em primeiro lugar a sagrada liberdade de escolha pessoal.

O mais claro testemunho do crescimento deste modelo é que ele vem sendo rapidamente adotado em escala global, estando presente na atualidade em 105 países.

No nosso país, é representada pelo Grupo Longevidade Saudável, instituição que goza do reconhecimento nacional e internacional, o mais importante grupo de trabalho medico nessa área de toda a América Latina, que já formou mais de 4.600 médicos, que beneficiam diretamente a vida quase um milhão de brasileiros.

Numerosos estudos tem demonstrado a confiança crescente do público neste modelo de medicina. Estima-se que mais de 40% da população dos Estados Unidos, país aonde nasceu no início dos anos 90, esteja hoje dela se beneficiando.

A consequência é que um número crescente de escolas médicas e de saúde pública passaram a recomendar que os médicos se familiarizem com essas práticas e com esse modelo de saúde.

Temos em nossas mãos uma nobre missão: Escrever um dos mais belos capítulos da história da medicina contemporânea, aonde poderemos não apenas exercer a arte e o dom de ser medico com prazer e dedicação, mas, devolver às pessoas o brilho nos olhos, a fé e a concreta possibilidade de viverem e envelhecerem de forma plena, digna, saudável e produtiva!

Fazer o bem, usar a medicina integrativa como instrumento da felicidade do próximo, e ser feliz fazendo os outros felizes. Esse deve ser o foco!

Ao longo dos próximos informativos, estaremos detalhando cada uma dessas terapias, seus benefícios e como ter acesso às mesmas.

Um ótimo domingo a todos!

Ítalo Rachid

CREMESP 114612