13051632_1681805965414424_6979077665436717315_nConversando sobre saúde com Dr Italo Rachid
Edição 04 – 24/04/2016

Hormônios ou Remédios?

Tendo em mãos o dever e a responsabilidade de opção pelo tratamento mais seguro e mais eficaz para o seu paciente, o médico deve levar em consideração, antes da sua decisão em adotar uma determinada estratégia terapêutica, tanto os resultados de trabalhos científicos quanto de evidências e resultados clínicos práticos. Ambos os pilares devem ter exatamente o mesmo peso no momento da sua decisão.
A medicina baseada em evidências envolve a síntese e a análise global de todos os dados e informações disponíveis, quando se compara diferentes opções terapêuticas para os pacientes.
Medicina baseada em evidências não significa que informações, dados e resultados clínicos expressivos e tabulados devam ser ignorados até que um estudo controlado e randomizado de um determinado tamanho e duração seja concluído.
Antes de mais nada, requer o acesso à base corrente de dados e informações que permitam ao médico decidir qual o modelo terapêutico potencialmente capaz de promover os maiores benefícios com os menores riscos possíveis para os pacientes.
Quase 30 anos de publicações de estudos científicos e, principalmente, uso clínico sistemático em escala mundial, tem demonstrado que a Modulação Hormonal Homóloga Humana não só é mais segura e clinicamente superior, como não está associada aos claros, mensurados, comprovados e sérios riscos da reposição hormonal sintética.
No Brasil, estes hormônios vem sendo utilizados na prática clínica há mais ou menos 18 anos, por um grupo atualmente constituído por cerca de 4.800 médicos que obedecem nas suas prescrições a regras, respeitam limites, critérios de inclusão e de exclusão, profissionais que tem, no seu conjunto, a responsabilidade de zelar pelas vidas de aproximadamente 1.000.000 (um milhão) de pacientes, sem que, até o presente momento, tenha sido reportado um caso sequer de evento com desfecho desfavorável, óbito ou efeitos colaterais graves que justifiquem a classificação da terapia de reposição hormonal como experimental, arriscada, illegal ou prejudicial à saúde humana.
O contrário, infelizmente, não se pode dizer dos medicamentos.
Na atualidade, efeitos colaterais de medicamentos aprovados pelo FDA, prescritos regularmente por medicos durante uma consulta, já respondem pela 4a. (quarta) causa mortis nos Estados Unidos da América, respondendo por mais de 150.000 (cento e cinquenta mil) mortes anuais, uma verdadeira calamidade pública!
Significa que remédios além de não estarem cumprindo o seu papel precípuo de curar doenças, ainda mais grave, estão matando seres humanos de forma perversa e desnecessária!
Na atualidade, remédios só não matam mais que ataque cardíaco, câncer e derrame cerebral.
Por que?
Seria a pergunta que qualquer ser humano faria diante dessa irrefutável e facilmente comprovável constatação.
E as respostas são dolorosas, mas absolutamente inquestionáveis:
1. São os próprios fabricantes dos remédios que criam, dirigem e concluem pesquisas sobre a eficácia de seus produtos;
2. Possuem um corpo jurídico permanente para fazer frente às constantes e permanentes denúncias sobre falhas graves, efeitos colaterais severos e mesmo elevado número de mortes entre os usuários;
3. Alguns medicamentos são lançados apesar da mínima capacidade de realmente interferirem beneficamente em prol dos pacientes;
4. Muitos medicamentos são lançados, mesmo quando os ensaios clínicos mostram prévia e claramente os seus perigos potenciais e apontam seus graves efeitos colaterais, muitos deles fatais;
5. As pesquisas são muito mais voltadas para as doenças que dão lucro;
6. Existência de omissão deliberada acerca dos efeitos adversos causados por seus produtos;
7. Propaganda intensiva junto a classe médica;
8. Campanha ostensiva para atacar, desvalorizar e desmoralizar outras condutas terapêuticas não farmacológicas;
9. Interferências nas agências de vigilância, tipo FDA e congêneres;
10. Lobby agressivo no Congresso dos Estados Unidos;
11. Muitos estudos independentes apontam que a relação entre indústria farmacêutica, remédios, professores de medicina, médicos e agências reguladoras como o FDA (Food and Drugs Administration) dos Estados Unidos, é incestuosa e fraudulenta;
12. Manipulação proposital de resultados em muitos dos trabalhos executados pela Indústria Farmacêutica;
13. Lobby permanente junto às agências reguladoras para emitirem pareceres favoráveis às suas drogas;
14. Inserção de especialistas sob sua orientação nas comissões reguladoras dentro destas agências;
15. Conluio entre detentores de patentes de exames laboratoriais e a Indústria Farmacêutica quando determinada droga é capaz de modificar exames laboratoriais;
16. “Comprar um pesquisador acadêmico reconhecido – o tipo que faz palestras, escreve livros-texto e artigos de revistas – equivale a força laboral de 100 mil vendedores”. Afirma a Dra. Marcia Angell, ex- editora do New England Journal Medicine;
17. A relação promíscua chegou a tal ponto que o congresso americano aprovou a Physician Payments Sunshine Act, que determina, a partir de 2013, que a Indústria Farmacêutica e os fabricantes de equipamentos médicos revelem a origem do dinheiro para pagar os médicos;
18. Hoje, muitos médicos sentem-se eticamente obrigados a seguirem condutas rígidas sobre vários procedimentos, sobre as quais muitas das vezes intimamente discordam ou no mínimo questionam, a maior parte propagada e sustentada por trabalhos “científicos” tendenciosos, com sérios erros de desenho, e que são patrocinados pela Indústria Farmacêutica. Ou seja: dentro do contexto do modelo, batizado de “Medicina Baseada em Evidências” não existem doentes, apenas doenças. Inexistem seres humanos, apenas protocolos, o que configura uma clara inversão dos princípios básicos que sempre deram sustentação à arte de praticar medicina, onde o que valia mesmo era uma boa anamnese, um exame físico bem feito e minuncioso, uma consulta onde o profissional estava muito mais preocupado com o ser humano à sua frente e muito menos com o relógio no seu pulso, cenários que nos levam a esquecer gradativamente a cada dia que passa que o mais importante no momento de formularmos uma proposta terapêutica é e sempre será usarmos nosso conhecimento e experiência, fruto de longos anos de treinamento e prática, nossos olhos, nossos ouvidos, nosso bom senso, nossa responsabilidade profissional, nossa ética e nosso cérebro e simplesmente decidirmos se um paciente irá ou não beneficiar-se de uma determinada forma de tratamento e, ao mesmo tempo, sermos capazes de assumir todas as consequências e responsabilidades inerentes aos nossos atos;
19. Ou seja: para tratar Diabetes Mellitus, Insuficiência Cardíaca, Hipertensão Arterial, Esclerose Múltipla, Câncer, Depressão, entre centenas de outras doenças, a única coisa que interessa é o protocolo;
20. “Não há um único setor da medicina acadêmica, da pesquisa acadêmica ou da educação médica em que as relações com a indústria farmacêutica não seja onipresente”. Afirma o Dr. Eric Campbell, Professor da Escola de Medicina da Universidade de Harvard;
21. Recrutamento de médicos para serem garotos-propaganda da indústria;
22. Recomendar drogas que tiveram estudos clínicos onde foram propositadamente omitidos dados sobre efeitos colaterais inaceitáveis e fatais;
23. Divulgar conceitos e protocolos que beneficiam drogas que ainda não foram completamente testadas e cuja segurança ainda não se econtra completamente estabelecida.
Independentemente de qual modelo se identifica, se curativo ou preventivo, porquanto ambos possuem suas virtudes e os seus defeitos, existe um conjunto de perguntas que cada um de nós, enquanto medicos, deveriamos fazer e responder antes de optarmos por qualquer um dos modelos, quer seja a prescrição de fármacos sintéticos para controlar sintomas de doenças ou aplicar de modo individuailizado um conjunto de técnicas e estratégias, dentre as quais o reequilíbrio hormonal, com o intuito de promover melhor qualidade de vida, quais sejam:
1. Meu diagnóstico está correto?
2. O medicamento foi prescrito confiando na Indústria Farmacêutica?
3. Este medicamento foi exaustivamente pesquisado e os riscos de usá-lo são conhecidos e amplamente divulgados?
4. Os riscos de efeitos colaterais indesejáveis, graves e até mesmo fatais, bem como os efeitos cruzados com outros fármacos ou mesmo a interferência com os sistemas de detoxificação e metabolização natural do hepatócito, mediados pelo complexo de enzimas do Citocromo P450 na fase I, e ácido glicurônico na fase II, foi rigorosa e criteriosamente avaliado pelo médico prescritor, antes da assinatura dessa prescrição?
5. Os responsáveis por sua liberação são pessoas éticas, que jamais o licenciariam para venda se restasse alguma dúvida sobre sua eficiência ou capacidade de causar algum dano?
6. O problema do meu paciente é causado pela falta dessa substância ou princípio farmacológico no seu organismo?
7. Estou tratando a causa do problema ou controlando os seus efeitos?
8. E, finalmente, e mais importante: O paciente sente-se melhor, igual ou pior com o tratamento proposto?
E para finalizar, desconhecer, de forma propositada ou não e / ou negar a existência da robusta gama de evidencias científicas de alta qualidade que demonstra e comprova de forma cabal e inequívoca o papel fundamental dos hormônios não apenas na promoção da saúde, como na redução dos riscos de doenças tais como: demência senil de Alzheimer, depressão, hipertensão, cancer, infarto do miocárdio, AVC, diabetes, osteoporose, artrite, dentre outras tantas, configura não apenas um ato de omissão perverso, antiético e inaceitável contra os seres humanos, mas lança, em pleno século XXI, a medicina de volta aos tempos obscuros da Santa Inquisição!
Um excelente domingo a todos!
Dr. Italo Rachid – CREMESP 114612